2200 Caracteres com
Camila Alcovér
Camila Alcovér
02 de outubro de 2025
2200 Caracteres com
02 de outubro de 2025

Algumas histórias nascem silenciosas, quase como um ensaio antes do espetáculo. Com o tempo, ganham ritmo, cor e movimento até se tornarem parte da paisagem cultural de uma cidade. Assim é a trajetória de Camila Mendonça Zanella Prieto Alcovér, que transformou a dança em missão de vida, unindo arte, educação e cuidado com as pessoas.
Camila tem 39 anos. Técnica em Moda, professora e coreógrafa, é diretora do Studio de Dança Camila Alcovér, idealizadora da Mostra de Dança de Extrema, hoje em sua 13ª edição, e coordenadora do Projeto FlorIdade. Entre aulas, ensaios e projetos, sua história segue sendo escrita no compasso da música e no brilho de quem acredita que a arte pode transformar vidas.
Nascida em Santos (SP), teve uma infância tranquila e cheia de afeto. As tardes eram preenchidas com brincadeiras de Barbie e a casa sempre cheia, com pais, avós e irmão vivendo juntos. Era um ambiente simples, mas repleto de carinho e presença.
Aos 9 anos, mudou-se com a família para Joanópolis. Foi ali que viveu a adolescência e fortaleceu valores que a acompanhariam pela vida inteira. A figura do pai, homem ativo e de fibra, marcou profundamente sua formação e lhe ensinou sobre garra e determinação.



O trabalho também entrou cedo em sua rotina. Aos 12 anos, já ajudava na ranicultura da família e, mais tarde, também colaborava na pousada. Entre responsabilidades e aprendizados, foi construindo o olhar atento para o esforço coletivo e para o valor de cada conquista.
Mas a dança já estava ali, pulsando desde antes. Aos 8 anos, em Santos, Camila teve suas primeiras aulas de jazz. Foi o primeiro encontro com o palco, com o movimento e com a sensação de pertencimento que só a arte é capaz de oferecer.
A dança é mais que arte. É vida pulsando em bem-estar, alegria e transformação
Em Joanópolis, outro capítulo dessa paixão se abriu quando conheceu a dança do ventre. O estilo se transformou em um verdadeiro chamado, uma linguagem que misturava expressão, cultura e identidade.
Anos depois, já formada em Moda, surgiu um convite que mudaria seu caminho. Camila foi chamada para dar aulas em um projeto social na Casa da Cultura. A experiência despertou algo maior: ali nascia sua vocação como professora e também o sonho do primeiro studio de dança.
A dança, então, passou a abrir portas que ela jamais imaginou atravessar. Camila enfrentou desafios importantes, como a banca de excelência da Dança Khan el Khalili, em São Paulo, referência nacional da dança oriental. A conquista marcou uma etapa importante de reconhecimento artístico.
Os palcos também ultrapassaram fronteiras. Sua arte já chegou a países como Alemanha, Suíça e Egito, além de apresentações na Disney. Cada viagem ampliou horizontes e reforçou a certeza de que a dança é uma linguagem universal.
Hoje, com o projeto “Cia por Aí”, segue levando sua companhia a novos destinos, como Joinville, Curitiba e Salvador, mantendo viva a chama da troca cultural e da formação artística.
Ao longo dessa caminhada, Camila também reuniu aprendizados com grandes mestres. Entre eles está Tarik, referência mundial da Dança Oriental, que ela já trouxe para Extrema em espetáculos e na Mostra de Dança, fortalecendo ainda mais o cenário cultural da cidade.
Da garagem ao palco, do sonho ao projeto: minha caminhada é feita de gratidão, raízes fortes e fé em Deus
Para Camila, a dança nunca foi apenas movimento. É encontro entre corpo, mente e alma. É espaço de acolhimento, autoestima, irmandade e crescimento compartilhado com cada aluno.
Hoje, sua rotina se divide entre o studio, os projetos sociais e a maternidade. A família ocupa o centro de tudo. Ela costuma dizer que vive ao lado de seu “quarteto fantástico”: as filhas Amarílis e Marjorie e a mãe, Cilcéia Alcover, companheira de vida, apoio constante e raiz de força.



Em meio a tantos compromissos e sonhos realizados, seus desejos atuais são simples e profundos, quer encontrar equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e ver as filhas crescendo e florescendo com a mesma intensidade que a dança trouxe para sua própria história.
E, ao olhar para o caminho percorrido, Camila resume sua jornada com gratidão.
– Se hoje celebro conquistas, é porque nunca caminhei sozinha. Agradeço à minha mãe, às minhas filhas, aos alunos e a Deus pelo dom da arte. Há 15 anos cheguei a Extrema com um sonho, e encontrei aqui o solo fértil para fazê-lo florescer.
Ela também traduz em poucas palavras o sentimento que guarda pela cidade que acolheu sua arte.
– Extrema é o palco que acolheu minha arte, terreno fértil onde a cultura transforma vidas.
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