Algumas histórias nascem silenciosas, quase como um ensaio antes do espetáculo. Com o tempo, ganham ritmo, cor e movimento até se tornarem parte da paisagem cultural de uma cidade. Assim é a trajetória de Camila Mendonça Zanella Prieto Alcovér, que transformou a dança em missão de vida, unindo arte, educação e cuidado com as pessoas.

Camila tem 39 anos. Técnica em Moda, professora e coreógrafa, é diretora do Studio de Dança Camila Alcovér, idealizadora da Mostra de Dança de Extrema, hoje em sua 13ª edição, e coordenadora do Projeto FlorIdade. Entre aulas, ensaios e projetos, sua história segue sendo escrita no compasso da música e no brilho de quem acredita que a arte pode transformar vidas.

Nascida em Santos (SP), teve uma infância tranquila e cheia de afeto. As tardes eram preenchidas com brincadeiras de Barbie e a casa sempre cheia, com pais, avós e irmão vivendo juntos. Era um ambiente simples, mas repleto de carinho e presença.

Aos 9 anos, mudou-se com a família para Joanópolis. Foi ali que viveu a adolescência e fortaleceu valores que a acompanhariam pela vida inteira. A figura do pai, homem ativo e de fibra, marcou profundamente sua formação e lhe ensinou sobre garra e determinação.

O trabalho também entrou cedo em sua rotina. Aos 12 anos, já ajudava na ranicultura da família e, mais tarde, também colaborava na pousada. Entre responsabilidades e aprendizados, foi construindo o olhar atento para o esforço coletivo e para o valor de cada conquista.

Mas a dança já estava ali, pulsando desde antes. Aos 8 anos, em Santos, Camila teve suas primeiras aulas de jazz. Foi o primeiro encontro com o palco, com o movimento e com a sensação de pertencimento que só a arte é capaz de oferecer.

A dança é mais que arte. É vida pulsando em bem-estar, alegria e transformação

Em Joanópolis, outro capítulo dessa paixão se abriu quando conheceu a dança do ventre. O estilo se transformou em um verdadeiro chamado, uma linguagem que misturava expressão, cultura e identidade.

Anos depois, já formada em Moda, surgiu um convite que mudaria seu caminho. Camila foi chamada para dar aulas em um projeto social na Casa da Cultura. A experiência despertou algo maior: ali nascia sua vocação como professora e também o sonho do primeiro studio de dança.

A dança, então, passou a abrir portas que ela jamais imaginou atravessar. Camila enfrentou desafios importantes, como a banca de excelência da Dança Khan el Khalili, em São Paulo, referência nacional da dança oriental. A conquista marcou uma etapa importante de reconhecimento artístico.

Os palcos também ultrapassaram fronteiras. Sua arte já chegou a países como Alemanha, Suíça e Egito, além de apresentações na Disney. Cada viagem ampliou horizontes e reforçou a certeza de que a dança é uma linguagem universal.

Hoje, com o projeto “Cia por Aí”, segue levando sua companhia a novos destinos, como Joinville, Curitiba e Salvador, mantendo viva a chama da troca cultural e da formação artística.

Ao longo dessa caminhada, Camila também reuniu aprendizados com grandes mestres. Entre eles está Tarik, referência mundial da Dança Oriental, que ela já trouxe para Extrema em espetáculos e na Mostra de Dança, fortalecendo ainda mais o cenário cultural da cidade.

Da garagem ao palco, do sonho ao projeto: minha caminhada é feita de gratidão, raízes fortes e fé em Deus

Para Camila, a dança nunca foi apenas movimento. É encontro entre corpo, mente e alma. É espaço de acolhimento, autoestima, irmandade e crescimento compartilhado com cada aluno.

Hoje, sua rotina se divide entre o studio, os projetos sociais e a maternidade. A família ocupa o centro de tudo. Ela costuma dizer que vive ao lado de seu “quarteto fantástico”: as filhas Amarílis e Marjorie e a mãe, Cilcéia Alcover, companheira de vida, apoio constante e raiz de força.

Em meio a tantos compromissos e sonhos realizados, seus desejos atuais são simples e profundos, quer encontrar equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e ver as filhas crescendo e florescendo com a mesma intensidade que a dança trouxe para sua própria história.

E, ao olhar para o caminho percorrido, Camila resume sua jornada com gratidão.

– Se hoje celebro conquistas, é porque nunca caminhei sozinha. Agradeço à minha mãe, às minhas filhas, aos alunos e a Deus pelo dom da arte. Há 15 anos cheguei a Extrema com um sonho, e encontrei aqui o solo fértil para fazê-lo florescer.

Ela também traduz em poucas palavras o sentimento que guarda pela cidade que acolheu sua arte.

– Extrema é o palco que acolheu minha arte, terreno fértil onde a cultura transforma vidas.

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