2200 Caracteres com
João Paulo de Lima Costa
João Paulo de Lima Costa
26 de novembro de 2025
2200 Caracteres com
26 de novembro de 2025

O som sempre chegou antes de tudo na vida de João Paulo de Lima Costa. Antes mesmo da câmera, antes dos vídeos, antes das edições. Ainda menino, a trilha já ecoava nas brincadeiras e no cotidiano simples de quem cresceu cercado de música.
Nascido em Bragança Paulista, João Paulo, hoje com 30 anos, sempre viveu em Extrema, cidade que considera seu verdadeiro lar. Filho de Roberto Paula da Costa e Diovana Donizetti de Lima Costa, teve uma infância marcada pelas brincadeiras na rua, pelas tardes no sítio dos avós e pelo ritmo improvisado que surgia em qualquer canto da casa, batucando panelas e em travesseiros com um pedaço de madeira.
Estou no carro, deitado ou dormindo, estou ouvindo música. O rádio é ligado 24 horas por dia, na minha casa
A música nunca saiu de sua rotina. Ela atravessa seus dias como uma espécie de companhia permanente, presente em cada momento. Foi justamente essa relação intensa que abriu caminho para outra paixão: a imagem. Como já trabalhava com música há algum tempo, sempre surgia a necessidade de produzir fotos ou editar vídeos. Sem encontrar quem realizasse esse trabalho, decidiu aprender por conta própria. A curiosidade virou estudo. E o estudo virou profissão.
A pandemia acabou marcando uma mudança decisiva em sua trajetória. O músico que buscava registrar o próprio trabalho mergulhou de vez no universo das câmeras e da edição. Autodidata, passou horas assistindo a vídeos, pesquisando, testando e estudando. Nesse início, a caminhada exigiu criatividade e persistência. Equipamentos nem sempre estavam ao alcance, e cada oportunidade de aprendizado era aproveitada ao máximo.
Um dos primeiros equipamentos que marcou sua jornada foi a máquina fotográfica Cannon A-1, presente do amigo Bira Brito. Com ela nas mãos, começaram os registros, os experimentos e a construção de um olhar próprio.



A inspiração também veio de quem já trilhava esse caminho. A primeira referência profissional foi o fotógrafo Lucas Pinhel. Com o tempo, outras influências foram se somando.
– Hoje, na fotografia, especialmente de palco, me inspiro no extremense Ricardo QT Rodrigues. Já no vídeo, Abdala Brothers faz vídeos sensacionais. E clipes, desde o início, o Flauzilino Júnior me inspira muito.
Aos poucos, João Paulo encontrou uma linguagem própria. Seu estilo mistura o moderno com o retrô, valorizando o tempo das cenas e a naturalidade do momento. O plano sequência virou uma de suas marcas, com uma câmera em um take.
Entre 2019 e 2024, viveu um período decisivo para sua carreira ao trabalhar na Secretaria de Cultura de Extrema. Foi ali que teve liberdade para criar, experimentar e registrar a cidade que tanto ama. Durante esse tempo, também realizou sonhos pessoais, especialmente ao registrar artistas e personagens da própria cidade.



– Esse período marcou a minha trajetória, mudou a minha vida. Entrei para fazer um tipo de trabalho e saí com outra profissão.
Nem tudo, claro, acontece como planejado no universo das produções. Em meio às coberturas de eventos, situações inesperadas também viram boas histórias.
– Quando eu dei por mim, do nada eu estava fazendo uma live com o celular do Frank Aguiar.
Mesmo com o avanço da tecnologia, João Paulo acredita que algumas coisas não podem ser substituídas.
– Não acredito muito não, falta verdade. Adapto à minha realidade, jogo de vez em quando nos meus trabalhos, porém muito pouco.
Seu olhar segue voltado para aquilo que considera mais valioso: as histórias e as pessoas de Extrema. A cidade aparece como cenário, inspiração e motivo de orgulho. Quando pensa em lugares especiais para registrar imagens, dois pontos da cidade surgem imediatamente em sua memória: a Igreja de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, no bairro do Salto, e a pracinha da Fazenda do Matão.
Extrema é a base de tudo para mim. Amo o meu povo extremense, a cidade, que me inspira diariamente
– O que eu puder gravar e fazer aqui, mostrar a cidade para o mundo, através do que vejo, farei. Não vivo sem este lugar. No fundo, tudo continua ligado à mesma paixão que nasceu na infância. A música ainda pulsa no centro de sua vida e atravessa cada projeto que produz. E já adiantou que se pudesse escolher apenas um trabalho, no mundo, seria o de produtor musical.



Outros assuntos




