
Dr. Luigi K. Annicchino
Médico regulador em Extrema (MG), diretor de Média Complexidade e ex-coordenador da UTI do Hospital Maternidade São Lucas.

Médico regulador em Extrema (MG), diretor de Média Complexidade e ex-coordenador da UTI do Hospital Maternidade São Lucas.
Muitas doenças evoluem de forma silenciosa e só apresentam sintomas em estágios avançados. A atenção primária é essencial para a detecção precoce, prevenção e acompanhamento contínuo, permitindo diagnósticos no momento certo e evitando complicações graves através do cuidado integral do paciente.
24 de março de 2026 - 2 semanas atrás

Na rotina de um consultório de atenção primária, muitas vezes o que mais preocupa não é aquilo que o paciente sente, mas justamente o que ele ainda não percebe. Existem doenças que se desenvolvem de forma silenciosa, sem dor, sem sinais evidentes, e que quando finalmente dão sintomas já podem estar em estágios avançados. É nesse ponto que o trabalho do médico da atenção básica se torna essencial.
Hipertensão arterial, diabetes, alterações do colesterol, doenças da tireoide e até alguns tipos de câncer podem evoluir por anos de maneira discreta. O paciente chega ao consultório por um motivo simples — um cansaço, uma dor de cabeça ocasional, um exame de rotina — e, durante a consulta, surgem pistas que revelam algo maior. Às vezes está na medida da pressão arterial, em um exame de sangue solicitado no momento certo ou mesmo em detalhes da conversa sobre hábitos de vida.
A atenção primária tem justamente esse papel: olhar o paciente de forma completa e contínua. Diferente de atendimentos pontuais, o médico de família e da comunidade acompanha a história da pessoa ao longo do tempo, conhece seu contexto, sua rotina e seus fatores de risco. Esse vínculo permite identificar mudanças sutis que muitas vezes passariam despercebidas em outros níveis de atenção.
Quando essas doenças são descobertas precocemente, o impacto na vida do paciente pode ser enorme. Um diagnóstico feito no momento certo permite iniciar tratamento antes que surjam complicações graves como infartos, AVCs, insuficiência renal ou outras condições incapacitantes. Em muitos casos, mudanças simples no estilo de vida já são suficientes para controlar o problema e evitar danos maiores.
Por isso, consultas regulares na atenção básica não devem ser vistas apenas como busca por tratamento quando algo está errado, mas como uma estratégia de cuidado e prevenção. O médico da atenção primária não atua apenas para tratar doenças; ele trabalha para evitá-las ou identificá-las no momento mais precoce possível.
Cuidar da saúde também significa escutar o que o corpo ainda não está dizendo em voz alta. E, muitas vezes, essa escuta começa justamente na porta de entrada do sistema de saúde.
Dr. Luigi Kenji Annicchino – CRM MG – 75.655
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