Atriz, empresária e apaixonada por teatro. A história de Rita Miranda é daquelas que parecem seguir o ritmo de um espetáculo: começa em um cenário simples, ganha novos atos ao longo da vida e segue em constante movimento, guiada pela arte, pela coragem e por uma profunda entrega ao que acredita.

Rita nasceu em Ervália, no interior de Minas Gerais, e carrega na memória uma infância cheia de afeto. As lembranças da fazenda, rodeada por avós, tios, tias e primos, formam um mosaico típico de família mineira, com encontros, histórias compartilhadas e vínculos fortes.

Família é esse lugar onde a gente encontra aconchego, amparo e motivos para ser melhor

Essa convivência moldou muito do que ela é hoje. Foi nesse ambiente que aprendeu o valor da coletividade, da família e da união. Elementos que, mais tarde, também encontrariam eco no teatro, lugar onde diferentes vozes e histórias se encontram para criar algo maior.

Ainda criança, Rita se mudou para o Espírito Santo. O pai, bancário e músico, teve papel decisivo em seu caminho artístico. Era ele quem a levava para cantar e assistir espetáculos. Foi em uma dessas experiências que algo especial aconteceu.

No Teatro Carlos Gomes, ao assistir ao espetáculo Flicts, de Ziraldo, Rita sentiu que aquele universo tinha aberto uma porta dentro dela. Uma porta que nunca mais se fecharia. Desde então, o palco se tornou parte da sua vida.

Ao longo da carreira, Rita viveu experiências marcantes no teatro. Uma das mais especiais aconteceu quando substituiu a atriz protagonista do espetáculo mexicano Pedro Páramo, em uma apresentação em São Paulo. A entrega no palco abriu novos caminhos. A partir dali, passou a integrar a companhia em apresentações no Festival Internacional de Teatro, com participações no Brasil e também em Manizales, na Colômbia.

A experiência se transformou em um dos capítulos mais significativos de sua trajetória artística, marcando sua participação em festivais internacionais e consolidando ainda mais sua relação profunda com a cena teatral.

Inspirada por grandes nomes e correntes do teatro, Rita construiu um repertório de referências que reflete sua paixão pela arte e pelo pensamento crítico. Entre as influências que a acompanham estão Denise Stoklos, Bete Coelho, Fernanda Montenegro, Marieta Severo, Augusto Boal, Brecht, Grotowski, Stanislavski, Zé Celso, Antunes Filho, Gabriel Villela e o Grupo Galpão.

Sempre vai ter luta. Mas também vai ter beleza. Vai ter entrega. E vai ter sentido

Hoje, além de artista, Rita também é empresária. Ainda assim, o sonho de se dedicar integralmente à arte segue vivo e pulsante. A relação com o teatro permanece como um fio que atravessa toda a sua história. Para ela, a arte tem um poder transformador na vida das pessoas.

– A arte me salvou. Foi nela que encontrei força pra seguir, fé pra acreditar e voz pra existir.  É o meu caminho, meu alimento e o lugar onde me sinto viva de verdade. Arte cura. Arte conforta.

A maternidade também ocupa um espaço especial em sua vida. Mãe da Jade, Rita guarda esse momento com enorme carinho e afirma que o viveria novamente se pudesse voltar no tempo. Para ela, família é muito mais do que uma definição tradicional, pois acredita que as famílias podem existir de muitas formas e em muitos formatos, sempre guiadas pelo afeto e pela construção conjunta da vida.

Morando há anos em Extrema, ela diz ter encontrado na cidade um novo lugar de pertencimento. Foi ali que recebeu o título de cidadã extremense, concedido pela então vereadora Iolanda Souza Silva, um reconhecimento que guarda com carinho.

– Fiquei em Extrema por amor. Pela conexão com a cidade, pelas portas que se abriram, pelas pessoas que me acolheram como uma segunda família. Aqui, eu fui reconhecida e floresci. Extrema é minha segunda família.

Entre palcos, memórias, viagens e aprendizados, Rita Miranda segue vivendo sua trajetória com sensibilidade e coragem. Uma caminhada inspirada por grandes artistas, mas construída com sua própria voz, marcada por luta, arte e resistência.

Outros assuntos