Everton Patriota
Administrador de empresas, instrutor de trânsito, técnico em segurança do trabalho, consultor em gestão de empresas, especializado em frotas, liderança e pessoas.
Administrador de empresas, instrutor de trânsito, técnico em segurança do trabalho, consultor em gestão de empresas, especializado em frotas, liderança e pessoas.
Especialista aponta falhas na liderança como um dos fatores decisivos para a saída de profissionais e aumento da rotatividade nas empresas.
14 de abril de 2026 - 2 semanas atrás
Caro leitor, eu terminei o texto anterior afirmando a expressão muito comentada nos ambientes organizacionais e redes sociais: “as pessoas não se desligam das empresas, mas de seus líderes.”
Essa não é apenas uma frase, mas uma triste realidade em muitas empresas, de diversos segmentos e portes. Uma situação triste, especialmente porque os líderes são os guardiões da missão, visão e valores das empresas, cuja camisa vestem.
Há mais de vinte anos, Peter Drucker, o “Papa” da administração, disse:
“Em alguns séculos, quando a história de nossos dias for escrita com uma perspectiva de longo prazo, é provável que o fato mais importante que os historiadores destaquem não seja a tecnologia, nem a internet, nem o comércio eletrônico. Será uma mudança sem precedentes da condição humana. Pela primeira vez, literalmente, um número substancial e crescente de pessoas tem escolhas. Pela primeira vez, elas se gerenciam a si mesmas. E a sociedade está totalmente despreparada para isso.” [1]
Naquele momento, Drucker percebia e afirmava a necessidade de líderes para a condução das pessoas nas organizações, mesmo com tanto acesso à informação e conhecimento.
Considerando o cenário Brasil, marcado pelo mercado de trabalho conduzido pela geração “Y”, com idade entre 14 e 29 anos, uma geração caracterizada por má qualidade de formação acadêmica, pouco resiliente, carente de limites e orientações dos requisitos básicos dos bons costumes e até valores morais, formada pela cultura midiática e adepta ao seguimento de “Influencers”, carregada de ideologias, com dificuldades em lidar com frustrações, desprovida de proatividade, podemos afirmar que essa realidade é hoje grande causa da crise de mão de obra que tanto impacta a produtividade das empresas. Sim, pois essa geração demanda um bom processo de formação de sua liderança, o que exige disposição dos líderes em comunicar, orientar, treinar, ouvir, acompanhar o desenvolvimento, valorizar e recompensar.
Os líderes estão dispostos a esse investimento de tempo para com seus liderados?
Considero que, somado a todos esses desafios, há a enorme crise de líderes que sejam, de fato, referenciais às pessoas de suas equipes, em função de seu caráter, postura pessoal e profissional. Essa triste combinação tem gerado o fenômeno do apagão de mão de obra, caracterizado pelo alto turnover, com reclamações em todos os lados. E podemos afirmar sim que as pessoas se desligam de suas lideranças, dos ambientes ruins e pouco colaborativos.
Penso que a solução para essa problemática está na formação de líderes que gostem de formar pessoas. Líderes que invistam parte de seu precioso tempo na promoção de ambientes agradáveis e saudáveis, a partir da constante comunicação, do engajamento das equipes na cultura da empresa, na promoção da cultura de crescimento profissional pela meritocracia. Tudo isso implica em gerar ambientes produtivos sem ignorar as pessoas em seus processos. Pois, em minha experiência profissional, aprendi que o exercício real da liderança é: influenciar as pessoas para que elas façam conosco aquilo que desejamos que elas façam; mas que façam com disposição e entusiasmo. Para tal, é preciso considerar as pessoas e formá-las. É preciso estar com elas e não somente dar as ordens.
Afinal, se elas não compreenderem o “por que fazer”, não farão. Sairão sempre na busca da satisfação que nem sabem o que é, sem um plano de carreira definido e assim, “deixando a vida levar” até o final da própria carreira.
Everton Patriota
[1] Stephen R. Covey é uma autoridade em liderança, especialista em família, professor, autor e consultor organizacional respeitado internacionalmente. A referida citação foi retirada de sua obra “O 8º hábito”. Da Eficácia à Grandeza.” (2004).
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