Dr. Luigi K. Annicchino

Dr. Luigi K. Annicchino

Médico regulador em Extrema (MG), diretor de Média Complexidade e ex-coordenador da UTI do Hospital Maternidade São Lucas.

Fibromialgia: a dor que existe, mas que os exames não mostram

Fibromialgia causa dor real, mesmo quando os exames estão normais. Entenda os sinais, o diagnóstico e o tratamento.

21 de agosto de 2026 - 4 semanas atrás

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Imagine sentir dor no corpo todos os dias, acordar cansado mesmo depois de uma noite inteira de sono, ter a memória falhando, o humor instável, e ainda assim ouvir que todos os seus exames estão normais. Para quem tem fibromialgia, essa é a realidade. E a pior parte não é a dor em si, é não ser acreditado.

A fibromialgia é uma condição crônica caracterizada por dor muscular generalizada, fadiga intensa e sensibilidade aumentada em pontos específicos do corpo. Ela não aparece no exame de sangue, não aparece na ressonância, não tem marcador laboratorial que confirme o diagnóstico. É uma doença do processamento da dor, em que o sistema nervoso central amplifica os sinais dolorosos de forma desproporcional. O cérebro interpreta estímulos normais como dor. Não é psicológico, não é frescura, não é invenção. É neurobiologia.

Por isso o diagnóstico demora. Frequentemente leva mais de cinco anos para que a pessoa receba o diagnóstico correto. Nesse caminho, passa por dezenas de médicos, faz centenas de exames, ouve que está tudo bem e carrega sozinha uma dor que ninguém consegue explicar. Esse percurso deixa marcas emocionais profundas, e não é por acaso que ansiedade e depressão aparecem com frequência em quem tem a doença.

A fibromialgia afeta principalmente mulheres, na proporção de entre sete e nove mulheres para cada homem diagnosticado, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia. As causas ainda não são completamente conhecidas, mas fatores como traumas físicos ou emocionais, estresse crônico, distúrbios do sono e predisposição genética parecem ter papel importante no desenvolvimento da condição.

O tratamento não tem cura, mas tem manejo. E manejo bem feito transforma a qualidade de vida. Uma combinação de atividade física regular, sono de qualidade, acompanhamento psicológico e, quando necessário, medicação específica pode reduzir significativamente a intensidade da dor e devolver funcionalidade ao paciente. O segredo está na abordagem integrada e no acompanhamento contínuo.

Se você ou alguém próximo convive com dor crônica sem explicação, não desista de buscar ajuda. O diagnóstico existe. O tratamento existe. E ser levado a sério é o primeiro passo para melhorar.

Dr. Luigi Kenji Annicchino — CRM-MG 75.655

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