2200 Caracteres com
Esther Torres: a brasileirice que vem da alma
Esther Torres
03 de setembro de 2026
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03 de setembro de 2026
Ela mistura gostos, sentimentos, fé e a admiração pela música popular do nosso país em sua arte. Esther Torres Soares Caldeira, 26 anos, cantora, intérprete e compositora, nasceu em São Domingos do Prata, município mineiro localizado na região do Médio Piracicaba, e chegou a Extrema aos 4 anos.
“Éramos eu, meu irmão e minha mãe numa cidade nova. Minha mãe trabalhava muito, e meu irmão cuidava de mim. Sempre fui uma criança meio tímida, mas muito observadora e curiosa para aprender de tudo. Perguntava tudo sobre tudo, tinha quem se irritava”, brinca.
Na infância, o que mais amava era passar as férias no meio do mato, em sua cidade natal, onde só queria saber de andar a cavalo. “Sempre fui apaixonada pela roça e pelos animais.” A música, porém, já a acompanhava desde o ventre: durante a gestação, sua mãe colocava louvores para a filha ouvir.


Esther com o irmão Matheus Torres: apaixonada pela natureza e pelos animais.
Foi assim que Esther conheceu, desde cedo, o poder da música. Observando a mãe e o irmão tocarem na igreja, aos poucos começou a imitá-los. “Aprendi muita coisa sozinha, observando, perguntando ou lendo aquelas revistinhas de cifras. Quando meu irmão se mudou de Extrema, sempre que voltava, trazia músicas novas e me ensinava. Um dia ele falou que a minha voz era bonita e me incentivou a cantar mais — foi assim que comecei e não parei mais.”
Seu primeiro palco foi a igreja, onde enfrentou a timidez e descobriu a realização de tocar as pessoas. “Minha fé e o propósito da adoração me colocavam como ‘instrumento de Deus’. O foco não era eu, mas a mensagem de amor. Música para mim sempre foi sobre isso.”
Para se aperfeiçoar, Esther fez aulas de canto com o professor Marcelo, por meio de um projeto oferecido pela Prefeitura, experiência que lhe abriu portas para outros palcos. “Toda oportunidade que eu tinha de conhecer pessoas e ambientes novos, usava para absorver algo novo e agregar à minha arte.”

DNA DA ARTISTA
“Certa vez, li uma frase que dizia: ‘Não sou cantora, sou intérprete das coisas em que acredito’. Canto e escrevo sobre tudo que faça sentido para mim.”
Sua identidade musical reúne artistas e estilos brasileiros. “Gosto de fazer um belo mousse da música mineira, nordestina e latina. Milton Nascimento, minha paixão por Alceu Valença, Dominguinhos, Gal e Gil. A sagacidade de Cátia de França e da minha conterrânea Marina Sena, somada à sensualidade e ao romantismo dos boleros latinos e outros.”
Sob forte influência da música popular brasileira (MPB), seja nas vivências ou no trabalho, Esther carrega consigo a diversidade da música, da cultura, das pessoas e da culinária brasileira.
Se o dom para cantar foi estimulado pela família, a compositora Esther surgiu pelo incentivo de um amigo. Foi para homenageá-lo que nasceu sua primeira composição. “Ao cantar para ele, não sabia se tremia de nervosismo ou de vergonha de a canção ser muito ruim”, lembra.
Suas músicas nascem da observação interna e daquilo que considera importante: suas raízes e as coisas simples do cotidiano que a moldam. “Gosto muito de aprender sobre outras culturas e colocar dentro das músicas, como é o caso de ‘Arandu’, que ainda não lancei, mas fala de um contexto indígena. Fora as minhas românticas, que, como boa canceriana, não abro mão.”
Esther traduz em música o que toca seu coração. Entre suas composições, destaca “Brasileira”, criada em um momento em que precisava encontrar força e beleza em si. “Uma definição clara e simples do que eu acredito.”
A intérprete vem ampliando esse trabalho e levando suas composições aos palcos dos festivais. “Brasileira” foi apresentada no FESCANPE 2025, enquanto “Meu Velho” integrou a edição de 2026. “Ambas dizem muito sobre mim. ‘Meu Velho’ fala da relação com meu pai e com a roça, especificamente. Foi uma grande virada de chave na minha vida, quando parei de falar um pouco sobre temas românticos.”
Com “Arandu”, Esther levou o nome de Extrema ao Festival Vozes Contemporâneas, em 2025, onde esteve ao lado de grandes compositores brasileiros. “Pude aprender com eles, apresentar minha música para pessoas que admiro. Ir para a final com ‘Arandu’ foi muito marcante, uma grande escola.”

PALCO, CARREIRA E BRASILEIRICES
O primeiro show autoral da cantora, realizado em 2024, marcou sua trajetória pessoal e artística. “Ter pessoas sentadas me assistindo cantar minhas próprias músicas foi uma experiência transcendental.”
Embora transite por diferentes estilos, Esther imprime sua identidade às músicas que interpreta. E dividir o palco com outras pessoas, conhecidas ou não, é sempre um presente. “A troca é necessária para alimentar a chama da criação dentro da gente.”
É dessa identidade que nasce “Esther Torres Canta Brasileirices”, projeto autoral que mistura música caipira e forró e exalta “a diversidade cultural brasileira, as temáticas cotidianas, o sentimentalismo e a alegria”.
Criado durante a Copa do Mundo de 2026, o projeto nasceu do desejo de fazer um show que passeasse pelos grandes clássicos do país. “Brasileirices veio da vontade de sair do óbvio ‘brasilidades’, um link com minha música de trabalho, que hoje é ‘Brasileira’, e todo o conceito que ela carrega. Se ‘criancice’ vem de agir como criança, ‘brasileirice’ vem de agir como brasileiro. O show é a própria brasileirice cantada”, explica.
Com maturidade e um olhar atento aos desafios de ser artista independente, Esther observa que “todo mundo ama consumir arte e ouvir música, mas poucos entendem o valor, o estudo necessário e o trabalho real que envolve o fazer bem-feito”.
E complementa: “O mais desafiador é educar a sociedade, inclusive nós mesmos, artistas, a não romantizar o artista sofredor e a enxergar a arte como um trabalho necessário na sociedade. Afinal, não é à toa o clichê que diz que ‘a arte salva’.”

XODÓ POR EXTREMA
Esther acompanha com alegria o crescimento da classe artística de Extrema, cidade que chama de seu xodó. “Vejo florescer muitos artistas incríveis e talentosos, assim como vejo surgir mais espaços para essa arte fluir. Me orgulho muito da valorização da arte na cidade e torço para que, cada vez mais, esses espaços se abram e o público esteja mais aberto a ouvir.”
Sobre o que a cidade representa para ela, declara: “Extrema é a minha cidade querida, que me abriga e me traz tantos momentos felizes. Minha montanha preferida, minha cachoeira preferida, minha família, meus amigos. É natureza. É casa.”

Esther e amigos
Hoje, sente um prazer indescritível ao ser conhecida e reconhecida por tantas pessoas que chegam à cidade. “Para mim, é a sensação de cantar em casa, que a gente não acha em nenhum outro lugar.”
Muitos sonhos ainda povoam o imaginário da artista, que deseja levar cada vez mais longe as mensagens que canta. “Tenho vontade de participar de mais projetos sociais, levar música para quem precisa, gravar as próximas músicas. A lista é gigante, mas seguimos dando um passo de cada vez.”
Olhando para trás, para aquela menina tímida que começou imitando o irmão e a mãe na igreja e soltou a voz para falar com Deus, Esther diria a si mesma algo que hoje encontra na própria música:
“Existe algo dentro de você que só você pode dar ao mundo, e isso é o maior presente de Deus para todo ser humano: o dom de ser único.”

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