Pe. Robson da Silva

Pe. Robson da Silva

Pároco, coordenador de Pastoral, Assessor Eclesiástico e escritor.

A morte não mata o amor

A morte leva a presença, mas não o amor. Uma reflexão sobre luto, saudade, fé e a esperança do reencontro.

05 de outubro de 2026 - 2 semanas atrás

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Prezado leitor, prezada leitora dos meus artigos aqui pelo AZ, receba minha saudação de paz!

Hoje quero conversar com você que talvez esteja vivendo a dor da perda de alguém que ama. Quero falar sobre a morte, o luto, a saudade e, sobretudo, sobre o amor que permanece.

A morte chega, muitas vezes, sem avisar. Leva quem amamos e, de repente, a casa parece diferente, a rotina perde o sentido e o silêncio passa a dizer muitas coisas. Sentimos falta da voz, do abraço, do jeito de falar, dos pequenos gestos e até das coisas que antes pareciam tão simples.

Quem já perdeu alguém sabe que o luto não tem um tempo determinado. Há dias em que a saudade aperta mais. Há momentos em que uma fotografia, uma música, um lugar ou uma lembrança faz as lágrimas chegarem. E tudo bem. Chorar também é uma forma de amar.

Talvez você esteja vivendo exatamente isso. Talvez a perda seja recente e a ferida ainda esteja aberta. Talvez já tenha passado algum tempo, mas a saudade continue presente. Não importa quanto tempo tenha passado: quem amamos deixa uma marca em nossa vida que não desaparece.

Por isso, hoje quero lhe dizer uma coisa em que acredito profundamente: a morte não mata o amor.

A morte interrompe a presença física, mas não apaga o amor que foi vivido. Ela não consegue levar as lembranças, a história construída, os momentos compartilhados, os ensinamentos recebidos. Quem amamos continua, de algum modo, presente em nós.

E nós, que cremos em Deus, temos ainda uma esperança maior. Deus é amor e Deus é eterno. Por isso, o amor que nasce n’Ele não termina com a morte.

A nossa fé não nos pede que deixemos de sentir saudade. Pelo contrário, ela nos ensina a viver a saudade com esperança. Podemos chorar, sentir falta, lembrar e, ao mesmo tempo, confiar que aqueles que partiram estão nas mãos misericordiosas de Deus.

Não sabemos quando chegará a nossa hora. Sabemos apenas que um dia também faremos essa passagem. Que o Senhor nos conceda a graça de viver e partir na amizade com Ele, sustentados pela fé e pela esperança.

Como escreveu o apóstolo Paulo: “Eu sei em quem acreditei” (2Tm 1,12). E como professou Jó em meio à sua própria dor: “Eu sei que o meu Redentor vive” (Jó 19,25).

Talvez hoje você não precise de muitas palavras. Talvez precise apenas de alguém que compreenda a sua saudade. Por isso, permita-se viver o seu luto. Não tenha vergonha de chorar. Não se cobre por estar bem o tempo todo. Cada pessoa tem seu jeito e seu tempo para aprender a conviver com a ausência.

Mas não deixe que a dor lhe faça esquecer todo o amor que existiu.

Hoje, ao terminar esta leitura, faça memória de alguém que você ama e que já partiu. Pronuncie seu nome em oração. Agradeça a Deus pela vida dessa pessoa, pelos momentos vividos e por tudo o que ela deixou em você.

E, se a saudade apertar, lembre-se:

A morte levou a presença, mas não levou o amor.

O amor permanece nas lembranças, nos gestos que aprendemos, nas histórias que contamos e, para nós que temos fé, na esperança do reencontro na eternidade.

Que Deus acolha em sua misericórdia todos os nossos entes queridos que já partiram e conforte o coração de todos aqueles que hoje choram uma ausência.

A morte não mata o amor.

Porque quem ama nunca deixa de carregar no coração aqueles que amou.

Pe. Robson Aparecido da Silva

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