
Everton Patriota
Administrador de empresas, instrutor de trânsito, técnico em segurança do trabalho, consultor em gestão de empresas, especializado em frotas, liderança e pessoas.

Administrador de empresas, instrutor de trânsito, técnico em segurança do trabalho, consultor em gestão de empresas, especializado em frotas, liderança e pessoas.
A nova NR1 amplia o papel das empresas na gestão dos riscos psicossociais e reforça a importância da liderança na saúde mental dos colaboradores. Mais que obrigação legal, cuidar das pessoas tornou-se estratégia essencial para produtividade, retenção de talentos e sustentabilidade organizacional.
14 de março de 2026 - 3 semanas atrás

A NR1 e o papel da liderança
Um dos assuntos mais abordados nos ambientes corporativos em 2025, que permanece em alta já no início de 2026 e, que encontramos enorme oferta de abordagens, treinamentos e conteúdo, é a respeito da norma regulamentadora NR1, em vigor desde 1978 pela portaria 3214 do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, que sofreu alteração em função da portaria do MTE nº 1419/24. Essa portaria incluiu na gestão dos riscos ocupacionais os riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
Essa portaria, que contempla a exigência de as empresas tratarem os riscos psicossociais, é resultado da triste realidade das organizações no que concerne à saúde mental dos colaboradores. Esse fato se comprova pelos números divulgados pela ONU e pelo Ministério da Saúde a respeito dos afastamentos do trabalho por doenças mentais. Esses números apontam, em 2024, um crescimento de 134% em relação a 2022[i]i]. Esse espantoso crescimento dos pedidos de afastamentos de trabalhadores se repetiu em 2025, atingindo 546.254 pessoas[ii]. As principais doenças, motivos desses afastamentos, são: reações por estresse (Burnout), crises de ansiedade, episódios depressivos e depressão recorrente.
Considerando a crise de mão de obra que enfrenta o Brasil, especialmente qualificada, esses números de trabalhadores afastados do trabalho tornam ainda mais difícil o cotidiano das empresas em busca da produtividade e resultados organizacionais. Não podemos ignorar que há ainda muitos trabalhadores que estão em suas atividades, mas também com sintomas de doenças mentais, que não produzem como poderiam e estão desmotivados. Enfim, uma realidade que se apresenta a toda empresa e que tratar o disposto na NR1 não pode ser apenas uma questão legal, mas de sobrevivência operacional.
Nesse contexto, é preciso responsabilizar nas ações as lideranças, em suas mais diversas esferas hierárquicas. Hoje, é fundamental que os líderes sejam formadores de suas equipes, que gostem de pessoas, que tenham a paciência e sabedoria em ensinar os caminhos, que promovam ambientes colaborativos, que impulsionem os “seus” por suas virtudes próprias e exemplo. Essa demanda já é contemplada na mesma portaria nº 3214/78, na norma regulamentadora NR17 em seus itens 17.4.1, no que tange aos processos, layouts, ritmos de trabalho, ambientes e 17.4.7 que considera o importante papel da liderança em comunicar, orientar, ouvir e estimular ambientes de relações saudáveis.
Podemos afirmar que a geração atual demanda essa atenção de seus líderes muito mais que os profissionais do mercado na década de 70, 80 e 90. Eis aqui um grande dilema: os líderes estão preparados para o perfil e exigências das pessoas da geração disponível no mercado hoje?
Penso que o grande investimento que as empresas precisam considerar é na formação e conscientização de uma liderança moderna que exige ações de aproximação com as pessoas das equipes para ouvir, comunicar, orientar, acompanhar e corrigir o curso, quando preciso. Líderes capazes e dispostos em reconhecer e recompensar por ações realizadas pelos seus. Enfim, é fundamental uma liderança de presença e consciente que formar e cuidar das pessoas na empresa não é responsabilidade da área de recursos humanos, mas uma missão compartilhada, cujo protagonismo em realizar essa missão é da própria liderança, suportada pelos recursos humanos em sua multidisciplinaridade de atividades, que contribuirão com a saúde física e mental dos colaboradores.
Certamente você já ouviu a expressão “as pessoas não se desligam das empresas, mas de seus líderes.” Continuo essa reflexão sobre os profissionais e a liderança no próximo texto.
Abraço Patriota!
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