
Dr. Luigi K. Annicchino
Médico regulador em Extrema (MG), diretor de Média Complexidade e ex-coordenador da UTI do Hospital Maternidade São Lucas.

Médico regulador em Extrema (MG), diretor de Média Complexidade e ex-coordenador da UTI do Hospital Maternidade São Lucas.
O diabetes não avisa: descubra como prevenir antes que os danos silenciosos mudem sua vida.
04 de maio de 2026 - 6 dias atrás

No último artigo falamos sobre pressão alta, aquela vilã silenciosa que destrói por dentro sem dar sinais. Hoje o assunto é parecido, e não por acaso. Diabetes e pressão alta andam juntas com uma frequência assustadora, e as duas têm algo em comum: a maioria das pessoas só descobre quando o estrago já começou.
O diabetes é uma doença em que o açúcar no sangue fica alto demais. Parece simples de entender. Mas os efeitos disso no corpo são devastadores quando ignorados por tempo demais: cegueira, amputações, infarto, derrame, falência dos rins. Tudo isso por causa de um número alto num exame de sangue que muita gente nunca fez na vida.
E por que as pessoas não fazem? Porque não dói. Não aparece no espelho. A vida segue completamente normal até que, de repente, não segue mais.
Existem dois tipos principais. O tipo 1 é autoimune, geralmente aparece na infância ou adolescência e depende de insulina para o resto da vida. O tipo 2 é o mais comum, responsável por mais de 90% dos casos, e tem tudo a ver com o estilo de vida moderno: sedentarismo, alimentação industrializada, excesso de peso e estresse crônico. Esse é o tipo que podemos prevenir. Esse é o que está crescendo em ritmo alarmante no país.
O Brasil tem hoje mais de 16 milhões de diabéticos. Somos o quinto país do mundo em número de casos. E o dado que mais assusta: estima-se que metade dessas pessoas não sabe que tem a doença. Estão por aí, vivendo normalmente, enquanto o açúcar corrói silenciosamente os vasos sanguíneos, os nervos, os órgãos.
Prevenir é mais simples do que parece. Não precisa de academia cara nem de dieta milagrosa vendida na internet. Precisa de movimento diário, e uma caminhada de trinta minutos já faz diferença real. Precisa de menos ultraprocessado no prato e mais comida de verdade, aquela que você reconhece pelo nome. Precisa de sono de qualidade, de menos estresse acumulado e, principalmente, de um exame de sangue anual para medir a glicemia em jejum. Um exame barato, disponível no posto de saúde, que pode mudar completamente o rumo da sua história.
Se você tem mais de 35 anos, tem histórico de diabetes na família, está acima do peso ou leva uma vida predominantemente sentada, esse acompanhamento não é opcional, procure o quanto antes seu médico de família.
O diabetes não avisa quando chega. Mas você tem a chance de chegar antes dele.
Luigi Kenji Annicchino
Médico
CRM MG – 75.655
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