Pe. Robson da Silva

Pe. Robson da Silva

Pároco, coordenador de Pastoral, Assessor Eclesiástico e escritor.

Ele veio morar entre nós

A moradia como direito fundamental e expressão da dignidade humana é o centro desta reflexão, que aborda justiça social, desigualdade e os valores cristãos à luz da Campanha da Fraternidade 2026, convidando à conscientização e ao compromisso com uma sociedade mais justa e solidária.

13 de março de 2026 - 3 semanas atrás

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Prezado(a) leitor(a),

A você, minha saudação de paz!

Neste ano, a Igreja nos convida a refletir com a Campanha da Fraternidade sobre a realidade de muitos irmãos nossos que não têm moradia própria e vivem de aluguel. O tema deste ano é “Fraternidade e Moradia”, com o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).

A casa própria é um sonho de muita gente que trabalha uma vida toda, mas não conseguiu ainda dar este passo fundamental que é ter a dignidade de um lar digno para si e sua família.

Eu mesmo estou servindo uma paróquia que, em julho deste ano, completará 10 anos de instalação e ainda não tem casa paroquial. O padre também mora de aluguel.

Esses dias, o que me chamou a atenção foi que, conversando com uma paroquiana, ela me relatou que é casada há 37 anos e até hoje vive de aluguel.

Quem constrói a sua casa pensa em todos os detalhes. Escolhe o lugar que vai construir, projeta a casa, constrói, mobília deixando-a ‘a sua cara’, entra com sua família para habitar seu novo lar.

Infelizmente, quem vive de aluguel não tem esse privilégio. Ele entra onde consegue custear o aluguel, de acordo com a sua renda. Em muitos lugares, irmãos nossos vivem em situações precárias e com valores de aluguéis abusivos, considerados um roubo, uma afronta ao mais pobre.

Por outro lado, gostaria de refletir com vocês sobre a situação de tantos filhos de Deus e irmãos nossos que estão sofrendo as consequências das fortes tempestades que caíram sobre Juiz de Fora, Matias Barbosa e o município de Ubá na região de Leopoldina.

Nesta tragédia, 65 pessoas morreram, 8 mil pessoas ficaram desabrigadas. Vidas foram perdidas, famílias ficaram desabrigadas quando suas casas foram arrastadas pelas enxurradas de terra. Podemos dizer que ‘da noite para o dia’, de ‘um dia para o outro’, ficaram sem moradia.

Enfim, não posso deixar de citar nestas linhas a terrível situação de tantos irmãos nossos que hoje sofrem e padecem as consequências da guerra no Oriente Médio. Por causa dela, milhares de pessoas também perderam suas casas, seus lares, suas famílias, seus filhos.

Como irmãos que somos, oremos por este povo que sofre. Estamos distantes territorialmente, mas podemos nos aproximarmos deles pela oração, sem esquecer dos que perderam suas vidas arrancadas pelos causadores da guerra. Amém.

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