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Marlon Mitne: do sonho de infância aos palcos com a Banda Niente
Marlon Mitne
20 de agosto de 2026
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20 de agosto de 2026
Ele tinha apenas 5 anos quando escalou o guarda-roupas de seu quarto para pegar a guitarra que o tio Fred Mitne havia deixado ali. Ao alcançar o instrumento, saiu pelos corredores da casa pensando ser um ‘rockstar’. Marlon Mitne, 26 anos, paulistano de Santo Amaro, é artista musical independente, apaixonado por música desde criança.
“Foi o tio Fred quem me apresentou o rock n’ roll, através dos jogos de vídeo game, como o Tony Hawks do PlayStation 2. Dali em diante, minha vida nunca mais foi a mesma. O Rock é a arte onde encontrei identidade para me expressar” afirma.
Antes de se tornar músico, Marlon teve uma infância marcada pela insegurança de viver no subúrbio paulistano, em Santo Amaro, mas também privilegiada pela tranquilidade adquirida após a mudança para Extrema, em 2007, aos 7 anos de idade. “Me lembro de praticar muito esporte, jogava bola, andava de skate e sempre amei ouvir música.”
Marlon estudou nas escolas Dirce Monteiro Lopes e José Rodrigues Seabra, em Itapeva (MG), e em Extrema, na E. E. Odete Valadares e no CESEC Dom Bosco.


Aos 13 anos, o universo da música passou a fazer parte da sua rotina. Sozinho, começou a estudar pela internet. Se interessou por violão, guitarra e vocal. “Sempre fui apaixonado por música e, desde que comecei, nunca parei de estudar e me dedicar às apresentações musicais.”
Sua formação musical tem influências de grandes artistas como Oswaldo Montenegro, Lenine, Benito diPaula, Renato Russo, Kurt Cobain, Dave Mustaine, Daniel Johns, entre outros.
Apesar da paixão, o artista sempre foi ciente dos desafios de seguir a profissão, o que o levou a outros campos de trabalho, como a usinagem, mecânica e eletromecânica, que estudou no Senai. “Porém, eu nunca tive desenvoltura nessas áreas.”
Formação da Banda Niente
O gosto musical pelo rock, desde muito cedo, é compartilhado com os amigos de infância, Felipe e Mariano. “Em 2017, começamos a tocar violão na praça da cidade, por brincadeira, e algumas canções autorais foram nascendo ali. Foi assim que a Niente foi tomando proporção.”
Em 2020, pouco antes de iniciar a pandemia da Covid-19, Marlon Mitne (vocalista) e os amigos, Felipe Cachoeira (guitarrista), Mariano Ribeiro (baixista), junto com Caio Barros (baterista) fundaram a Niente, uma banda de rock n’ roll alternativo com influências de heavy metal e música popular brasileira.
Um dos momentos especiais na caminhada da banda, quando percebeu que estavam conquistando espaço, foi no Extrema ProRock 2024. “Foi um show lendário, nos posicionamos e conquistamos muito público naquele dia!”
No ano seguinte, em 2025, participaram do Extrema Motofest, que foi um divisor de águas para a Niente. “Até então, foi o nosso maior público, uma grande responsabilidade dividir o palco com artistas nacionais.”
Enquanto crescem localmente e se aperfeiçoam cada vez mais, sonham com os principais palcos nacionais da música, do João Rock ao Lollapalooza. “Meu maior sonho é tocar no Monsters Of Rock ou no Bangers Open Air. Vamos chegar lá!”

Foto: Luan Bueno da Bueno Work – responsável pelos registros fotográficos e vídeos da Niente.
Construindo um legado
Com sonoridade, autenticidade e muita paixão, as músicas autorais da Niente são composições que nascem a partir das vivências de cada um dos integrantes. Para Marlon, a canção que mais representa sua trajetória é ‘Herdeiro de Nada’ – “é uma música que fala sobre abandonarmos desejos efêmeros e passageiros para adotar uma ideia de vida maior. O legado que deixamos como ser é maior do que nossas conquistas em vida.”
Para quem ainda não os conhece, Marlon sugere ouvir ‘Herdeiro de Nada’. “É a música de estreia da banda e representa a mensagem que estamos carregando. A Niente é um sonho movido por pessoas que acreditam em uma vida com um significado maior.”
Para o artista, não existe fórmula para compor ou criar música, “é como se você fosse pintar um quadro abstrato, tudo acontece sem lei ou regras.” E avisa aos fãs que lançarão em breve um novo EP com cinco faixas – “estamos em fase de produção.”

Desconstruindo para construir
Para o vocalista da Niente, ser artista musical independente no Brasil e, principalmente, fazer rock, “sempre foi difícil, nunca foi ‘mainstream’ e nunca foi bem aceito e bem visto pelo mercado. Precisamos criar a cultura de escutar músicas novas, de aprender sobre artistas novos.”
Com humildade e aberto ao aprendizado, Marlon conta que o momento mais difícil da carreira foi o início: sem talento, oportunidade e sem público. Mas havia uma vontade muito grande de se tornar artista e fazer acontecer. “Eu cresci em meio às críticas, muita gente não gostava da minha voz, e eu realmente não sabia cantar. Eu ouvi e fui buscar minha dignidade com esforço e dedicação, assim encontrei meu espaço.
Para ele, não existe ‘desistir’ e os próximos passos da Niente são seguir fazendo shows, lançando músicas, se posicionando no mercado de forma que destaque o que possuem de diferente.
E um dos grandes diferenciais da Niente, pode-se dizer, está na maneira como se posicionam. “Muito se especula e se diz sobre nós, mas poucos sabem que começamos do zero. Não tínhamos nem tapete para pôr na bateria. Com muita dedicação e trabalho, conquistamos nosso espaço e seguimos fazendo acontecer. Acredite em você, nas suas ideias e não tenha medo de começar do zero!”


Rock na Serra da Mantiqueira
Ter vindo morar ainda criança no Sul de Minas, em Extrema, e por um tempo em Itapeva, mudou sua vida, lhe abriu portas. “Vivíamos em uma região que ainda hoje é perigosa. Minha casa e a dos vizinhos eram sempre assaltadas. Sair de São Paulo e vir para cá me deu segurança, um lar de verdade.”
Para ele, viver em Extrema, fazer rock na cidade, é ‘bom demais’. “Quem mora aqui tem muita sorte, pois conta com o apoio e as oportunidades que a secretaria municipal de cultura proporciona para quem quer fazer acontecer. Extrema já é um polo cultural; precisamos preservar e valorizar isso!”
E ressalta que a cidade representa toda a sua história, pois foi aonde pode ter uma infância e adolescência segura, construiu uma carreira e conheceu amigos, que hoje apoiam seu trabalho.

Curiosidade
Niente, na língua italiana, significa ‘nada’. Segundo Marlon, a escolha do nome tem a ver com o conceito existencial que abordaram na principal música da banda ‘Herdeiro de Nada’ – “viemos do nada e voltamos para o nada.”
Além da ligação com o primeiro single, outra justificativa é repleta de bom humor: “Teve um dia que não deixaram um pedaço de pudim para o meu avô. Ele, bravo, com sotaque italiano, disse: “Deixaram Niente de pudim para mim (brinca).”
E desta maneira, unindo conceito, jovialidade e paixão, que há seis anos, surge no cenário da serra da Mantiqueira, a banda de rock Niente, do menino que desejava muito ser um rockstar. Resultado da união de quatro sonhadores, que com sensibilidade e coragem escrevem uma história com ‘liberdade artística’, com ‘Rock n’ Roll’.
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