Para muitas famílias e animais, o barulho dos fogos não representa comemoração. Para eles, é sofrimento real. Enquanto uns celebram, há crianças que entram em crise, idosos que se assustam e cães que entram em pânico diante do estampido.
Em 28 de março de 2025, o município de Extrema deu um passo importante ao sancionar a Lei nº 5.162, que proíbe o uso e a soltura de fogos de artifício que geram barulho em toda a cidade. A medida foi uma das primeiras ações anunciadas pelo prefeito Dr. Fabrício Bergamin, reforçando o compromisso da gestão com políticas públicas mais sensíveis e inclusivas.
A legislação proíbe a queima, soltura e manuseio de fogos de alto impacto sonoro. A medida não é apenas uma decisão administrativa, pois representa proteção direta para famílias com crianças, jovens e adultos com deficiência, além de idosos e animais.
A diretora do Centro de Integração Especial (Crie), Agnes Gonçalves Nunes, explica que o barulho intenso pode causar desorganização e medo em muitas crianças. Segundo ela, crianças com deficiência, especialmente autistas, podem entrar em crises intensas, com choro, gritos, agressão ou até autoagressão, e demoram muito mais tempo para se acalmar.
No Transtorno do Espectro Autista (TEA), a hipersensibilidade sensorial é comum. O cérebro tem dificuldade para filtrar estímulos, fazendo com que sons considerados normais se transformem em estímulos extremamente dolorosos. Para essas pessoas, fogos barulhentos não representam festa, mas sim uma experiência de dor e sobrecarga sensorial.
Os animais também estão entre os mais afetados. Cães possuem audição muito mais sensível que a dos humanos, e sons como fogos ou trovões podem provocar pânico, ansiedade, taquicardia e até convulsões.
O médico veterinário Rodrigo Barbosa relata que muitos animais tentam fugir desesperadamente quando ouvem o barulho. Nesse processo, podem destruir objetos, se machucar e até sofrer acidentes graves. “Já vi cães com tremores, convulsões e feridas por tentarem escapar do barulho. O que é bonito para alguns, pode ser uma tragédia para outros”, disse.
Para Agnes, a lei representa cuidado e acolhimento para pessoas que percebem o mundo de maneira diferente. “Mesmo que para você não faça diferença, respeite. Respeito é a melhor forma de convivermos com as diferenças, mesmo quando não as compreendemos totalmente”.
Algumas medidas podem ajudar a reduzir o impacto sonoro para pessoas sensíveis ao som: uso de abafadores de ruído, preparação emocional antecipada e avisos prévios sobre mudanças na rotina.
Já para proteger os pets, vale manter o animal em ambiente mais escuro e seguro, utilizar sons contínuos, como música ou televisão, para reduzir o impacto do estampido, e realizar dessensibilização gradual ao longo do tempo. Ansiolíticos devem ser utilizados apenas com orientação veterinária.
Caso alguém presencie a soltura de fogos com barulho em Extrema, a orientação é denunciar imediatamente pelo 190. A colaboração da população é essencial para garantir o cumprimento da lei e proteger quem mais sofre com os estampidos.








