Pe. Robson da Silva
Pároco, coordenador de Pastoral, Assessor Eclesiástico e escritor.
Pároco, coordenador de Pastoral, Assessor Eclesiástico e escritor.
Descubra como unir fé e atitude para viver uma espiritualidade verdadeira e transformadora.
14 de maio de 2026 - 1 semana atrás
A palavra Oração é uma junção das palavras (orar+ação), onde a pessoa que reza precisa sair do estágio daquele que só pede a Deus e fica esperando as coisas que deseja caírem do céu. Deus realiza sim milagres, e ao longo da história da Igreja, temos muitos relatos de milagres, da intervenção de Deus, que o homem, através da ciência, não pode explicar e assim entendemos o que Jesus dizia: “seja feito conforme a tua fé”.
Mas isso não pode viciar os que rezam em achar que Deus é o “Gênio da lâmpada mágica”. Jesus diz sim nos evangelhos, “pedi e vos será dado”, porém, esses pedidos precisam vir acompanhados de fé, confiança, temor a Deus, esforço pela obediência e fidelidade ao Senhor. Em outras palavras, colocar em prática as Palavras e Mandamentos do Senhor é deixar Deus ser Deus e agir como Deus em nossas vidas, sendo verdade no dia a dia o que rezamos no Pai Nosso: “seja feita a Vossa vontade assim na terra e como no céu”. Será que é isso mesmo que queremos quando rezamos ou rezamos querendo que Ele faça a nossa vontade?
Há uma história de um homem que corre ao encontro de um amigo de um monge que está passando pela aldeia: “Dê-me a pedra, a pedra preciosa!” o monge diz: “De que pedra você está falando?” O homem: “Ontem à noite, Deus me apareceu em sonho e disse: “Um monge estará passando pela aldeia ao meio-dia de amanhã, e se ele lhe der uma pedra que leva consigo, você será o homem mais rico do país. Então, dê-me a pedra!” O monge remexeu no saco e tirou um diamante. O maior diamante do mundo, do tamanho da cabeça de um homem! E disse: “É essa a pedra que você quer? Eu a encontrei na floresta. Tome-a!” O homem agarrou a pedra e saiu correndo para a casa. Mas não pode dormir aquela noite. Na manhã seguinte, muito cedo, foi onde o monge estava dormindo, debaixo de uma árvore, acordou-o e disse: “Aqui está o seu diamante de volta. Quero a riqueza que o torna capaz de jogar a riqueza fora”. Isso é o que temos de descobrir se quisermos achar a alegria. (Anthony de Mello)
Orar é comunicar-se com o divino, o transcendente, o soberano. É entrar em sintonia com o Sagrado. Do ponto de vista teológico, a oração é um dom. Os homens são filhos. Deus se comunica com eles e lhes confere o poder de escutá-Lo e de responder-Lhe como a um Pai. Sendo assim, a oração pode ter características diversas, acompanhadas da história, da vida e do relacionamento com Deus, que cada pessoa – povo – comunidade pode fazer de acordo com sua realidade e costume.
A intimidade com Deus e poder percebê-Lo como amigo e próximo se dá numa relação de amizade com ele. Esta amizade pode ser adquirida por meio da oração, seja ela litúrgica, popular, comunitária ou individual. Orar é falar com Deus, elevar o pensamento ao transcendente e querer ser ouvido por Ele. Há coisas que Deus quer conceder ao orante, não, porém, sem seu concurso, sua intervenção, não talvez sem a sua súplica, não sem uma longa e paciente oração.
Portanto, olhando para o desenrolar da história, é perceptível que a questão da oração é latente em todos os ramos das pastorais e movimentos. Cada pessoa possui seu jeito próprio de dirigir-se a Deus, além de suas orações comunitárias, realizadas nas paróquias e comunidades. É evidente que muitas pessoas se realizam e se contentam com os tipos de orações a que já estão acostumadas.
Porém, há aqueles que almejam uma espiritualidade mais aguçada, uma experiência de encontro com Deus que vá além das orações que lhe são direcionadas por meio de missas, terços, encontros celebrativos, grupos de oração etc. Essas orações são válidas. São riqueza e patrimônio da Igreja, mas o homem não pode se acomodar somente a elas e achar que Deus tudo providenciará em sua vida.
Pe. Robson Aparecido da Silva
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