Dr. Luigi K. Annicchino
Médico regulador em Extrema (MG), diretor de Média Complexidade e ex-coordenador da UTI do Hospital Maternidade São Lucas.
Médico regulador em Extrema (MG), diretor de Média Complexidade e ex-coordenador da UTI do Hospital Maternidade São Lucas.
Obesidade é doença, não falta de força de vontade. Entenda como o tratamento pode transformar vidas.
08 de julho de 2026 - 2 semanas atrás
A obesidade é uma doença. Não é falta de força de vontade, não é desleixo, não é escolha. É uma condição médica complexa, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, que envolve genética, hormônios, metabolismo, saúde mental e ambiente. Tratar como questão de caráter é o primeiro erro, e costuma ser o que impede as pessoas de buscarem ajuda de verdade.
No Brasil, mais da metade da população adulta está acima do peso. São mais de 30 milhões de pessoas com obesidade. E os números crescem todo ano, enquanto a indústria de dietas milagrosas fatura bilhões vendendo promessas que não entregam resultado duradouro.
O problema com a obesidade não é apenas estético. Ela é porta de entrada para pressão alta, diabetes tipo 2, infarto, apneia do sono, problemas articulares, alguns tipos de câncer e uma série de condições que reduzem drasticamente a qualidade e a expectativa de vida. Não por acaso, falamos sobre todas essas doenças aqui nas últimas semanas. A obesidade está no centro de boa parte delas.
Emagrecer sozinho, na base da restrição calórica extrema e do sacrifício, funciona para poucos e por pouco tempo. O corpo humano é programado para sobreviver. Quando passa fome, ele reduz o metabolismo, aumenta o apetite e guarda energia. É biologia, não sabotagem. Por isso mais de 80% das pessoas que fazem dieta restritiva recuperam o peso perdido em até dois anos, frequentemente com alguns quilos a mais.
O acompanhamento médico muda esse jogo. Um profissional capacitado avalia o histórico do paciente, identifica causas subjacentes como alterações hormonais ou metabólicas, orienta sobre alimentação de forma individualizada, indica atividade física compatível com a realidade de cada um e, quando necessário, utiliza ferramentas medicamentosas modernas que atuam diretamente nos mecanismos de fome e saciedade. O tratamento da obesidade evoluiu muito nos últimos anos e hoje oferece resultados que há uma década seriam impossíveis sem cirurgia.
Emagrecer não é prêmio para quem tem mais disciplina. É consequência de um tratamento adequado, conduzido com ciência e acompanhamento. Procure um médico antes de procurar uma dieta.
Dr. Luigi Kenji Annicchino — CRM-MG 75.655
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