Dr. Luigi K. Annicchino

Dr. Luigi K. Annicchino

Médico regulador em Extrema (MG), diretor de Média Complexidade e ex-coordenador da UTI do Hospital Maternidade São Lucas.

Apneia do sono: roncar é normal?

Roncar todas as noites pode ser sinal de apneia do sono. Conheça os sintomas, os riscos e as formas de tratamento.

20 de outubro de 2026 - 2 dias atrás

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Todo mundo conhece alguém que ronca. É motivo de piada, de reclamação do parceiro, de noites no sofá. Mas o que muita gente não sabe é que o ronco pode ser o sinal mais visível de uma condição séria, silenciosa durante o dia e barulhenta durante a noite: a apneia do sono.

A apneia acontece quando a musculatura da garganta relaxa demais durante o sono e obstrui parcial ou totalmente as vias aéreas. A respiração para, por alguns segundos ou até mais de um minuto, e o cérebro aciona um mecanismo de alerta que desperta o organismo brevemente para retomar o fôlego. Esse ciclo pode se repetir dezenas ou até centenas de vezes por noite, sem que a pessoa lembre de nada na manhã seguinte.

O problema é que cada interrupção fragmenta o sono profundo, aquele que realmente restaura o corpo e a mente. Quem tem apneia não descansa de verdade, mesmo dormindo oito horas. Acorda cansado, com dor de cabeça, irritado, com dificuldade de concentração. É um cansaço que não passa com descanso, e que muita gente carrega por anos sem entender de onde vem.

Os sinais de alerta vão além do ronco. Engasgos ou sensação de sufocamento durante o sono, sono agitado, idas frequentes ao banheiro à noite, boca seca ao acordar e sonolência excessiva durante o dia são sintomas que merecem atenção. O parceiro de quarto costuma ser o primeiro a notar as pausas na respiração, e o relato dele tem peso diagnóstico real.

As consequências de uma apneia não tratada são sérias. A condição está associada ao aumento do risco de hipertensão arterial, infarto, arritmias, AVC e diabetes tipo 2. Não por acaso, muitos pacientes com essas doenças têm apneia não diagnosticada convivendo em silêncio.

O diagnóstico é feito por um exame chamado polissonografia, que monitora a respiração, os movimentos, a oxigenação do sangue e as ondas cerebrais durante o sono. O tratamento mais eficaz para os casos moderados e graves é o CPAP, um aparelho que mantém as vias aéreas abertas com fluxo de ar contínuo durante a noite. Parece invasivo, mas a maioria das pessoas que adere ao tratamento relata uma transformação completa na qualidade de vida.

Roncar todo dia não é normal. É um sinal. E sinais merecem ser investigados.

Dr. Luigi Kenji Annicchino — CRM-MG 75.655

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