Colesterol alto não dói. Não causa tontura, não aparece na pele, não muda o humor. A pessoa se sente completamente bem enquanto as artérias vão sendo silenciosamente comprometidas por dentro. É por isso que o colesterol elevado é um dos fatores de risco mais subestimados da medicina moderna, e um dos mais perigosos.
Todo mundo já ouviu falar em colesterol ruim e colesterol bom. O LDL, conhecido como o vilão, é o que se deposita nas paredes das artérias e forma as placas de gordura que a gente já mencionou aqui, quando falamos sobre infarto. O HDL, o mocinho, age varrendo o excesso de gordura da circulação e impedindo que ele se acumule onde não deve. O problema começa quando o LDL fica alto demais e o HDL baixo demais, e o equilíbrio entre eles se perde.
As causas são várias. Alimentação rica em gorduras saturadas e ultraprocessados, sedentarismo, excesso de peso, tabagismo, predisposição genética e até algumas doenças da tireoide podem desregular esses níveis. E aqui vale uma informação importante: tem gente que se alimenta bem, se exercita e ainda assim tem colesterol alto por questão puramente genética. Ou seja, não é sempre culpa do estilo de vida, e assumir isso é fundamental para que as pessoas busquem tratamento sem se sentirem envergonhadas.
As consequências do colesterol descontrolado são sérias. Ele é um dos principais responsáveis pela formação das placas que entopem artérias e causam infarto e AVC. E quando o problema é descoberto tarde, o dano já está feito.
O diagnóstico é simples: um exame de sangue chamado lipidograma, barato e disponível na rede pública, mostra todos os valores em questão de horas. O Ministério da Saúde recomenda que adultos façam esse exame pelo menos uma vez a cada cinco anos, e com mais frequência quem tem histórico familiar ou outros fatores de risco.
O tratamento vai desde mudanças no estilo de vida até o uso de medicamentos quando necessário. Mas o primeiro passo, como sempre, é saber que o problema existe. E para isso, é preciso fazer o exame.
Colesterol alto não avisa. Mas um simples exame de sangue pode mudar completamente o rumo da sua saúde.
Dr. Luigi Kenji Annicchino — CRM-MG 75.655