Fabrício Lopes

Fabrício Lopes

Empresário, escritor e ex-usuário de drogas.

Bom dia, tudo bem?

É importante reconhecer que nem sempre estamos bem e criar relações baseadas em escuta, acolhimento e confiança. Oferecer apoio e permitir-se pedir ajuda são atitudes essenciais para enfrentar os desafios da vida.

27 de julho de 2026 - 1 semana atrás

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Existem pelo menos cinco tipos de pessoas quando alguém faz essa pergunta tão comum.

Há aquela que pergunta: “Está tudo bem?”. Há quem responda automaticamente: “Sim, está tudo bem”, mesmo quando, por dentro, tudo parece desabar. Há também quem encontre coragem para admitir: “Não, hoje não está tudo bem”.

Diante dessa resposta sincera, existem ainda dois tipos de pessoas: aquela que se importa, se aproxima e procura ajudar; e aquela que escuta, muda de assunto e segue a vida como se nada tivesse sido dito.

Talvez tenhamos transformado o “tudo bem?” em apenas mais uma formalidade. Perguntamos sem esperar uma resposta verdadeira e respondemos sem revelar o que realmente sentimos. Tornou-se quase um acordo silencioso: eu finjo que quero saber, você finge que está bem e nenhum de nós precisa lidar com a vulnerabilidade do outro.

Mas, quando alguém responde que não está bem, entenda: essa pessoa está confiando em você.

Sinta-se honrado por ter sido escolhido como ombro amigo. Nem sempre será necessário encontrar uma solução. Muitas vezes, o que alguém precisa é apenas de presença, escuta, acolhimento e da certeza de que não atravessará aquele momento sozinho.

Da mesma forma, abrir mão da resposta automática de que “está tudo bem”, quando não está, desperta princípios muito valiosos. É preciso humildade para reconhecer os próprios limites. É preciso confiança para admitir que precisamos de ajuda. É preciso cumplicidade para permitir que alguém se aproxime das partes da nossa vida que ainda estão machucadas.

E eu digo: está tudo bem não estar bem.

A vida possui suas inconstâncias. Ao contrário do que muitos imaginam, ela não é uma linha reta, previsível e controlável. Mesmo que desejemos segurança, estabilidade e respostas, a vida é uma sucessão de acontecimentos, mudanças e situações que muitas vezes escapam completamente das nossas mãos.

Existirão dias de alegria, conquistas e celebrações. Mas também virão dias de frustração, cansaço, medo, perdas e incertezas. Reconhecer isso não significa viver com pessimismo. Significa compreender a realidade e preparar o coração para atravessá-la com maturidade.

O primeiro passo para cuidar do próprio bem-estar é entender que dias ruins virão. Eles não significam necessariamente que sua vida deu errado. Significam apenas que você está vivendo uma vida real.

O segundo passo é ter alguém de confiança para quem você possa dizer, sem medo, sem vergonha e sem precisar usar máscaras: “Hoje eu não estou bem”.

O terceiro passo é tornar-se essa pessoa para os outros. Alguém que escuta sem julgar, que acolhe sem diminuir a dor e que permanece quando o outro encontra coragem para abrir o coração.

Se tornar essa pessoa que acolhe e escuta sem julgamento é desafiador, analise, se alguém não se abre com você é muito provável que você não passe a confiança necessária para que confiem em abrir suas dores e frustrações.

Precisamos reaprender a perguntar e, principalmente, reaprender a ouvir. Porque, por trás de muitos sorrisos, existem batalhas silenciosas. Por trás de muitas respostas automáticas, existem pessoas apenas esperando encontrar um ambiente seguro para falar a verdade.

Talvez você não consiga resolver o problema de alguém. Mas sua presença pode diminuir o peso. Sua atenção pode devolver esperança. Seu cuidado pode lembrar aquela pessoa de que ela não está sozinha.

Por isso, hoje, não faço essa pergunta como mera cordialidade. Pergunto com disposição para ouvir a resposta verdadeira:

Vai tudo bem?

“Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo.”
Gálatas 6:2

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