Quando o olhar vai além do previsível, enxerga beleza, arte, força e história. A fotografia fala sem precisar de palavra. Arte que hipnotiza, mexe com as emoções, eterniza o olhar de quem está por detrás da câmera.
Gabriel Bruno Jacintho de Almeida, 15 anos, natural de Bragança Paulista (SP), há dois anos morando em Extrema, apesar da pouca idade, sabe muito bem o que ela representa. “Fotografar é eternizar momentos, guardar memórias e transformar emoções em lembranças que durarão para sempre. Cada fotografia carrega uma história, um sentimento e um momento único.”
O fotógrafo, que aos 13 anos descobriu a paixão pela fotografia – ‘via as pessoas tirando fotos e me senti inspirado’ – iniciou neste universo manuseando uma antiga Fujifilm. Tirava fotos e mostrava para algumas pessoas, que gostavam e elogiavam muito. Foi então que pensou em pedir uma pequena ajuda para começar a vender seu trabalho e investir ainda mais na fotografia.
Com disciplina, força de vontade e muita sensibilidade, Gabriel vem trilhando uma jornada inspiradora. “Minha maior dificuldade foi conseguir evoluir e comprar os equipamentos. Comecei do zero e assisti a muitos vídeos para aprender cada vez mais sobre fotografia, porque no início não tinha conhecimento na área.”
Suas maiores conquistas foram as aquisições do tablet, da lente e, principalmente, da câmera. “Para comprar a câmera, vendi doces na rua durante dois meses. Trabalhei todos os dias até alcançar esse objetivo.”


Gabriel demonstra maturidade e muita disciplina na profissão e sabe da importância de seguir se aperfeiçoando. É amigo de vários fotógrafos de Extrema, que o inspiram e de quem recebe ensinamentos. “Um dos fotógrafos que mais me inspira é o @monteirofoto.”
Conta que, quando começou a fotografar, pensava que o equipamento era o mais importante. “Hoje, vejo que o olhar do fotógrafo faz toda a diferença. Um bom equipamento ajuda, mas criatividade, técnica e sensibilidade são muito mais importantes.”
Por isso, ele sempre busca observar os detalhes, a posição das pessoas, a luz e o momento certo da ação, para registrar o movimento e a emoção da melhor forma possível.
O Dia Mundial da Fotografia representa para mim a oportunidade de celebrar a capacidade de eternizar sentimentos, histórias e olhares que o tempo jamais poderá apagar.
Em busca de seu sonho
Estudante do 8º ano do ensino fundamental II, da Escola Municipal Maristela Carniel Onisto, o jovem fotógrafo organiza a agenda para atuar profissionalmente aos fins de semana.
Quando começou sua jornada na área da fotografia, algumas pessoas acharam que ele era novo demais e até o criticaram. “Mesmo assim, decidi continuar fazendo o que gosto, sem dar atenção às críticas ofensivas e aprendendo apenas com as críticas construtivas.”
O trabalho mais especial de sua trajetória foi o registro de uma corrida de Velocross, realizada em Extrema, em fevereiro de 2025. “Nunca tinha feito fotos tão bonitas, quanto as daquele dia. Recebi muitos elogios.”
Sua predileção é fotografar esportes e desde que começou já registrou muitos eventos esportivos, além de futebol e corridas. “Meu sonho é ser fotógrafo de um grande time de futebol do Brasil. Também gostaria muito de fotografar o Yuri Alberto.”
A fotografia mudou meu olhar sobre como enxergo o mundo, porque me ensinou a antecipar momentos. Hoje, não vejo apenas uma cena, mas também a narrativa, a composição e a luz. Isso me tornou uma pessoa muito mais observadora e presente no dia a dia.
Há dois anos atuando como fotógrafo em Extrema, Gabriel diz que a cidade tem muitos lugares bonitos e ótimos para fotografar, que há espaço para jovens empreendedores que tenham dedicação, criatividade e vontade de crescer.
Para adolescentes que sonham com a arte, ele declara que, “A pior coisa que existe é desperdiçar um talento. Faça aquilo que você acredita e gosta. Nem tudo será fácil: haverá dias de luta e dias de glória. Quem apenas sonha não realiza, mas quem age e corre atrás consegue alcançar seus objetivos. Tudo isso exige disciplina, foco e determinação.”



HISTÓRIA DA PRIMEIRA FOTOGRAFIA
Há cerca de 200 anos, o homem conseguiu pela primeira vez fixar a luz em uma imagem. A mais antiga fotografia produzida por uma câmera que chegou até nós de forma permanente, é conhecida como “Point de vue du Gras” — em português, Vista da Janela em Le Gras. O Musée Nicéphore Niépce a reconhece como a primeira fotografia preservada.
O autor foi o francês Joseph Nicéphore Niépce (1765–1833), inventor que realizou diversos experimentos para encontrar uma maneira de fazer a própria luz produzir e fixar uma imagem.
Niépce posicionou uma câmara escura diante de uma janela de sua propriedade em Le Gras, em Saint-Loup-de-Varennes, na França. A imagem registra a paisagem vista dessa janela: partes das construções da propriedade, telhados, uma árvore e outros elementos do entorno.
Como ela foi criada?
Niépce chamou seu processo de heliografia, palavra associada à ideia de “escrever/desenhar com a luz”. Ele utilizou uma placa de estanho polido revestida com betume da Judeia, material sensível à ação da luz, e colocou essa placa dentro de uma câmara escura.
A luz incidia sobre a placa e alterava o betume. Depois da exposição, Niépce tratava a superfície para remover as partes que não haviam endurecido suficientemente com a luz. Dessa forma, a imagem permanecia registrada na placa.
O princípio é extraordinariamente importante: a natureza deixava de ser apenas desenhada pela mão humana e passava a registrar sua própria imagem pela ação da luz.
Assim nascia uma arte sensível, que atravessa o tempo, eterniza segundos. Arte que capta sensações, conta a história, fatos e representa o olhar sensível por detrás da câmera.
Fonte: Musée Nicéphore Niépce — La Première Photographie