Dr. Luigi K. Annicchino

Dr. Luigi K. Annicchino

Médico regulador em Extrema (MG), diretor de Média Complexidade e ex-coordenador da UTI do Hospital Maternidade São Lucas.

Hipotireoidismo: quando a tireoide para e o corpo vai junto

Cansaço, ganho de peso e falta de energia? Entenda quando esses sinais podem indicar hipotireoidismo.

11 de setembro de 2026 - 1 semana atrás

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A tireoide é uma glândula pequena, localizada no pescoço, que a maioria das pessoas nunca pensa até o dia em que ela começa a falhar. Quando isso acontece, o corpo inteiro sente. O metabolismo desacelera, a energia some, o humor vai ao chão e uma série de sintomas vagos começa a aparecer sem que a pessoa consiga explicar de onde vêm.

O hipotireoidismo é a condição em que a tireoide produz hormônios em quantidade insuficiente para as necessidades do organismo. Esses hormônios regulam praticamente tudo: o ritmo do coração, a temperatura corporal, o funcionamento do intestino, o peso, o sono, a memória e até o ciclo menstrual. Quando faltam, o corpo funciona em câmera lenta.

Os sintomas são traiçoeiros justamente porque são inespecíficos. Cansaço que não passa com descanso, ganho de peso sem mudança na alimentação, pele seca, queda de cabelo, intestino preso, sensação constante de frio, raciocínio lento, depressão. São sintomas que qualquer pessoa já atribuiu ao estresse, ao trabalho ou à idade. E é exatamente por isso que o hipotireoidismo fica tanto tempo sem diagnóstico.

No Brasil, estima-se que cerca de 10% da população tenha algum grau de disfunção tireoidiana, e o hipotireoidismo é a forma mais comum. Afeta muito mais mulheres do que homens, especialmente a partir dos 35 anos, e tem forte componente genético. A causa mais frequente é a Tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune em que o próprio sistema imunológico ataca a glândula progressivamente.

O diagnóstico é simples e feito por exame de sangue, com a dosagem do TSH, que é o hormônio que regula a atividade da tireoide. Um número alterado nesse exame já é suficiente para iniciar a investigação. O tratamento, quando necessário, é feito com reposição hormonal oral, segura, eficaz e bem tolerada pela grande maioria dos pacientes. Quando bem conduzido, permite que a pessoa leve uma vida completamente normal.

O problema não é a doença em si. É o tempo que se perde sem saber que ela existe. Um exame simples resolve essa dúvida. E resolvê-la pode mudar completamente como você se sente todos os dias.

Dr. Luigi Kenji Annicchino — CRM-MG 75.655

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