
Fabrício Lopes
Empresário, escritor e ex-usuário de drogas.

Empresário, escritor e ex-usuário de drogas.
Relato de conscientização sobre o uso de substâncias e a perda do autocontrole. O contraste do início eufórico e impecável de uma festa com o declínio gradual e muitas vezes trágico causado pelo álcool e drogas.
06 de abril de 2026 - 21 horas atrás

Chiclete na boca, cabelos limpos, perfume no pescoço, roupas impecáveis. Todos aparentam controle, as vezes tímidos, pouco acanhados, mas animados. Tudo é moderado, tudo parece sob controle, tudo é “legal”. Ao chegar, olham ao redor com o rosto erguido, procurando a diversão.
Todo início de festa, de curtição, de balada é assim, em meio a isso, surgem os sussurros dos desejos no coração e na mente:
“Você merece, você pode, não faz mal, se divirta, fique mais um pouco…”
“Só mais um copo…”
“Só mais um, só hoje, só agora…”
O início é sempre prazeroso, leve, curioso e envolvente. Mas o que acontece é que, na grande maioria das vezes, NINGUÉM TE MOSTRA O FINAL DA FESTA, principalmente quando essa festa pode terminar em tragédia.
A grande desculpa de quem começa a caminhar nos próprios prazeres é o chamado “uso recreativo”, principalmente no álcool. Vive-se a ilusão do autocontrole, e o egocentrismo do “EU”: “Eu domino – Eu bebo quando quiser – Eu mereço”.
E a maior mentira que se repete: “EU PARO QUANDO QUISER”.
Todo desvio de comportamento, não apenas drogas, cresce de forma gradativa. À medida que aquilo te dá prazer, você se alimenta mais daquilo, e, sem perceber, começa a negociar valores.
Trocamos facilmente um dia de trabalho por um dia de curtição.
Negociamos uma vida de paz por momentos de satisfação.
Trocamos a verdade por uma ilusão, trocamos uma vida por um momento.
Se pudéssemos ver o final da festa, aquela que começa bem, mas termina em destruição, com certeza faríamos outras escolhas.
Todo aquele entusiasmo do início pode se transformar em arrependimento no final.
Não se iluda. Os únicos finais possíveis são: PRISÃO, CAIXÃO, SOLIDÃO ou RECUPERAÇÃO.
No fim da festa, as roupas estão amarrotadas, os cabelos bagunçados, o estômago embrulhado, a cabeça girando. Pelos cantos, alguém se perde, alguém se vende, alguém se destrói, o cheiro da fumaça impregna tudo, as emoções estão abaladas, as conversas já não têm controle, são cheias de arrogância, excesso e desordem. O perfume vira suor, o suor vira fedor, o momento de prazer corrompe seus valores, o que é desprezível vira opção, o sapo vira príncipe, o nunca vira talvez.
O que começou como diversão pode terminar em morte.
Quantos acidentes fatais causados pelo álcool?
Quantas famílias destruídas pelas drogas?
Quantas vidas interrompidas porque alguém quis prolongar a festa?
Pais que perdem filhos.
Filhos que perdem os pais para a “festa”.
A festa do prazer… a que cobra um preço alto demais.
Essa cena faz parte de nosso cotidiano, mas não queremos ver…
O inteligente aprende com os próprios erros. Mas o sábio aprende com o erro dos outros.
Saber o final da festa pode salvar sua vida, contar o final da festa pode salvar outras vidas.
Não entre na festa sem antes saber no que ela pode se transformar
Se eu soubesse que o final da minha festa seria cair em uma sarjeta, roubar minha própria mãe, mentir para todos, fazer minha família chorar amargamente, quase morrer várias vezes, sofrer danos mentais e emocionais, apanhar na rua, querer morrer, querer matar, ser jogado em um chuveiro gelado para recobrar o juízo, comer lixo para matar a fome, beber vinagre para matar a sede, beber litros de cachaça para tirar a dor… Eu nunca teria entrado.
O que começa com um copo na sexta pode terminar em divórcio na segunda.
O que começa com uma fumaça no sábado pode terminar em overdose no domingo.
O que começa em uma festa… PODE TERMINAR EM UM VELÓRIO.
Não brinque com aquilo que pode matar, matar seus sonhos, matar sua família, matar sua esperança.
Um momento de prazer pode se transformar em uma vida inteira de tormento.
Termino com uma frase que ouvi de outro usuário, dentro de um tubo de esgoto, no uso do crack: “É, cara, nós trocamos 1 milhão por 1 real”.
“Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte” – (Provérbios 14:12).
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