Dr. Luigi K. Annicchino

Dr. Luigi K. Annicchino

Médico regulador em Extrema (MG), diretor de Média Complexidade e ex-coordenador da UTI do Hospital Maternidade São Lucas.

Hantavírus: o inimigo que mora no campo e chega sem chamar

Silencioso e letal, o vírus exige atenção redobrada em áreas rurais e ambientes fechados.

20 de maio de 2026 - 4 dias atrás

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Nas últimas semanas o hantavírus voltou a ocupar espaço nos noticiários brasileiros, em parte por conta de casos confirmados em um navio de cruzeiro envolvendo uma cepa diferente, capaz de transmissão entre pessoas. Vale a tranquilidade: essa variante não circula no Brasil. Por aqui, o vírus segue o caminho de sempre, e continua sendo perigoso o suficiente para merecer atenção.

O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com roedores silvestres infectados. Não precisa de mordida. Basta respirar em um ambiente onde o animal esteve, onde deixou urina, fezes ou saliva ressecada no chão. Um galpão fechado, uma casa de sítio que ficou meses sem uso, um paiol, um acampamento. O vírus entra pelos pulmões e age rápido.

A doença causada por ele tem nome comprido, Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, e começa de um jeito traiçoeiro. Febre, dor muscular, cansaço. O início parece uma gripe comum, e é exatamente aí que mora o perigo. Porque em poucos dias o quadro pode evoluir para insuficiência respiratória grave, com uma taxa de mortalidade que pode ultrapassar 40% dos casos confirmados. Dados recentes mostram que essa taxa chegou a 55% no Brasil em 2025. Não existe tratamento específico nem vacina disponível. O que salva é o diagnóstico precoce e o suporte intensivo em hospital.

Quem corre mais risco são trabalhadores rurais, pessoas que frequentam áreas com vegetação densa, acampamentos, sítios e fazendas, especialmente após períodos de chuva, quando a população de roedores aumenta. Mas casos urbanos também acontecem quando roedores invadem residências ou depósitos.

Prevenir é possível e não exige muito. Ao abrir um ambiente fechado há muito tempo, use máscara e luvas antes de mexer em qualquer coisa. Nunca varra a seco, sempre umedeça o chão com água sanitária diluída antes de limpar. Evite acampar perto de locais com sinais de roedores. Mantenha alimentos bem armazenados e lixo longe de casa.

Se depois de frequentar área rural você tiver febre e falta de ar, não espere. Procure atendimento médico imediatamente e informe onde esteve. Essa informação pode salvar sua vida.

Luigi Kenji Annicchino

Médico

CRM MG – 75.655

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