Fabrício Lopes
Empresário, escritor e ex-usuário de drogas.
Empresário, escritor e ex-usuário de drogas.
As desculpas podem se tornar mecanismos para fugir das próprias responsabilidades. Ao transferir a culpa para os outros, muitas pessoas acabam paralisadas, sem mudanças reais na vida.
21 de maio de 2026 - 3 dias atrás
Tem gente que vive colecionando desculpas como quem coleciona razões para nunca mudar.
A vida vai passando, os sonhos vão apodrecendo, os relacionamentos quebrando, a disciplina desaparecendo… e a culpa continua sempre morando no mesmo lugar: nos outros.
A palavra “desculpa” carrega algo curioso dentro dela; tirar a culpa.
Des-culpar, em sua etimologia simples é afastar “des” o erro “culpa”.
Transferir, aliviar, mover a responsabilidade para longe de si.
E talvez por isso exista tanta gente parada na vida, porque é mais fácil dar desculpa do que assumir responsabilidades.
“Não consegui porque não me apoiaram.”
“Não venci porque me sabotaram.”
“Não mudei porque ninguém me ajudou.”
“Não dá, porque não tenho tempo”.
Mas existe uma frase brutalmente verdadeira:
“Quem é bom em dar desculpa não é bom em mais nada.”
Porque desculpa demais paralisa, desculpa demais enfraquece, desculpa demais vicia a mente a acreditar que sempre existe um culpado externo para justificar uma vida desprovida de ação.
Claro, pedir desculpas também pode ser nobre.
Às vezes significa reconhecer que não houve maldade, apenas erro, é reconhecer limites, é ter empatia, mostrar fraqueza e arrependimento frente ao ato falho.
Mas transformar a vida inteira numa sequência de desculpas é terceirizar o próprio destino.
Ser educado demais, permissivo demais, compreensivo demais com tudo… muitas vezes nos transforma em passivos diante da vida, SAIBA DIZER NÃO!
Sem saber dizer não, nos tornamos fracos nas decisões, reféns da aprovação e escravos do “VOCÊ ESCOLHE POR MIM”.
E a verdade é simples: viver de decisões é muito melhor do que viver de desculpas.
Então a pergunta que nos liberta é qual a sua desculpa?
Tem coisas que você prometeu fazer e não fez.
Tem pessoas que você ia arrancar da sua vida mas não fez.
Tem hábitos que ia mudar mas não mudou.
Tem lugares que não ia mais entrar mas entrou.
Tem cursos e conhecimento que ia adquirir mas não adquiriu.
TUDO PORQUE TEM UMA BELA DE UMA DESCULPA, quanto mais forte a desculpa menos chance de nós mudarmos e estarmos bem conosco mesmo.
E o pior, na maioria das vezes, a desculpa é esfarrapada. Esse termo é muito usado em nossa linguagem informal, desculpa que não se sustenta, esfarrapada, tão fraca que nem a gente acredita nela.
E outra pergunta ainda mais difícil:
Quem tem culpa da vida que você vive?
No fim, a próxima afirmação acaba fazendo sentido.
Você tem a vida que merece quando passa o tempo inteiro colocando a culpa nos outros e não assumindo as próprias responsabilidades.
Bem-estar não é ausência de problemas.
Bem-estar é estar bem consigo mesmo.
É enfrentar os fantasmas da culpa.
Primeiro se perdoar.
Depois perdoar os outros.
E então parar de dar desculpas para não fazer o que é certo.
Porque viver livre da culpa não significa fugir das responsabilidades.
Significa olhar para as próprias escolhas sem mentir para si mesmo.
Viver sem desculpas é deixar de culpar os outros por aquilo que você tem que fazer.
Mas consciente de que seremos sempre reféns das nossas escolhas.
“Se a culpa é sua, você tem duas escolhas: a primeira é enfrentar as consequências; a segunda, tentar dá-la para alguém! A primeira vai acontecer, a segunda é uma escolha sua”.
Trecho do livro “Vida de Craque”, de Fabricio Lopes, colunista do AaZ Extrema.
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